domingo, 31 de agosto de 2008

Sem querer...

É interessante como algumas coisas se transformam ao longo do tempo!
Ainda mais quando essas alterações também transformam as vidas e opiniões das pessoas! E não são poucas as que levam a sério a filosofia 'eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.' Ainda assim, não entendo porque existem certas resistências com relação ao novo!

Fala-se tanto em tecnologia, modernidade, novas mídias, mas quando se trata de um novo emprego, novos amigos, novos conceitos, novos sentimentos ou novas experiências todo e qualquer encanto logo desaparece, tudo porque se sentir desafiado pela novidade nem sempre é visto como produtivo e empolgante. É algo que exige disposição e acessibilidade.
Ninguém gosta muito de ser invadido! Quando se trata de deixar a alma mais acessível, as armas de defesa tornam-se ainda mais afiadas e potentes!
É aí que surgem frases do tipo: 'acho que não sei fazer isso!', 'não estou sendo o suficientemente bom', 'não vou dar conta'! E por aí vai, a lista é infindável e varia entre os próprios limites impostos.
Quem segue cegamente a teoria 'Raul Seixiana', às vezes se perde na própria instabilidade e duplicidade! E quem vive de prontidão e evita qualquer novidade de vida, está sujeito a viver emperrado e desastrosamente imutável! Não se permitir é ser carrasco de si mesmo! "É chato chegar a um objetivo num instante".
Há quem ache que não tem tempo para nada disso! É 8 ou 80! Ou sonha ou sobrevive!
Doce engano!
Equilibre-se entre os extremos!
Radicalismo demais é uma prisão!
Saiba que algumas escolhas precisam ser feitas, porque há quem roube e pior: não agüenta carregar depois!
Quer saber?!
Ouse mais!


"A ousadia é, depois da
prudência, uma condição
especial da nossa felicidade. "
(Artur Schopenhauer )

Campanha intitucional

Hoje pela manhã, enquanto curtia minha preguiça de fim de semana, vi um comercial interessante na Tv. Achei-o coerente com minhas ideias e resolvi dividi-lo com meus leitores.




Agradecendo a minha amiga Giovana pelo apoio e vamos em frente com nossa ideia Gigi....

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pedras no caminho....




"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..." (Fernando Pessoa)

domingo, 24 de agosto de 2008

chuva de prata

sábado, 23 de agosto de 2008

Mudanças




Ontem já foi. Amanhã não existe! Respire fundo e faça! Aprenda fazendo! Acorde fazendo! Sorria fazendo! Chore fazendo! Comemore fazendo! Continue fazendo... sempre!!!


MUDANÇAS! MUDANÇAS! MUDANCAS!


Hoje, a única constante é a mudança. Acredite nisso! Um dia é suficiente para envelhecer as idéias. Uma notícia pode decretar a falência de qualquer teoria. Anos de estudo, livros e revistas, tudo é perecível. Não apenas no aspecto físico, mas principalmente em sua utilidade e relevância.


SOBREVIVER! Acorde ou será tarde demais! As coisas estão acontecendo à sua volta e nada mais será como antes. Seus conhecimentos adquiridos são importantes, mas você precisa, acima de tudo, aprender a reaprender. As verdades que te ensinaram na escola, na faculdade e nos livros podem virar mentiras a qualquer momento. Muitas já viraram e talvez você nem tenha notado!


CONHECIMENTOS! Encontre a SUA verdade! Nada mais é incontestável. Em todas as áreas, existem cada vez mais teorias e cabe a você escolher a melhor para seguir. Hoje em dia, ninguém detêm essa “verdade universal”. Nem dá tempo dela ser comprovada e logo está caduca. Lembre-se: a única constante é a mudança!


PERSONALIDADE! Não seja mais um na multidão! Acabou a moleza. Não há mais espaço para acomodados, alienados ou dependentes. O mercado está cada vez mais feroz e você precisa assumir uma posição. A seleção natural já começou! Ou você será MUITO BOM EM ALGUMA COISA ou será descartável. Cada vez mais descartável... Escolha uma coisa que você goste de fazer e faça da melhor forma que puder. Torne-se um especialista e não tenha medo de assumir riscos. Invista em si mesmo! Estude! Converse com os melhores do ramo! Aprenda! Acrescente o seu toque pessoal e coloque a cara pra bater!


INVENTE! Se ninguém sabe a verdade, você pode (e deve) criar a sua! Tenha dez idéias, aprofunde-as e divulgue aos quatro ventos. Nove batem na trave, mas aquela que entra faz a diferença a seu favor. Arriscar é louvável! Errar é permitido! Omissão é inadmissível!


AGORA! Você está sempre atrasado! Corra! Mais rápido! Nada será perfeito por mais de um segundo. Portanto, jamais busque a perfeição. Faça o mínimo necessário, da melhor forma que puder, o mais rápido que puder e você terá sido perfeito na hora certa!


RELACIONAMENTOS! Sua maior riqueza são os contatos! Sozinho você não é nada. Sozinho não conseguirá acompanhar as mudanças. É impossível ler tudo sobre tudo e saber tudo sobre tudo! Seja O MELHOR QUE PUDER em alguma coisa. E esteja sempre bem acompanhado! Procure relacionar-se com os melhores na sua área e em áreas afins. O poder do networking é assombroso!


O ôxe.mone passou por mudanças e passará sempre que necessário. Estamos sempre melhorando para atender as necessidades dos nossos leitores, ainda há muito o que se fazer mas estaremos juntos nessa luta. Aos meus leitores fiéis o meu muito obrigado.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Quatro anos sem meu painho...





Um pôr-do-sol para meu pai
por Simone Patrícia



Hoje é 08 de agosto; uma sexta-feira. Estou acordada ainda, sem sono, é quinta-feira a noite, estou esperando o sono chegar para poder descansar para o dia de amanha. A mesma rotina de pegar o carro cheio logo cedo e viajar para a Laje, mesmo cansada ainda encontro uma forcinha para rabiscar estas linhas pra meu pai. Escrevo rápido para ver se dá tempo de dormir mais um pouco. De que eu possa, enfim, dizer tudo o que não pude por todos esses anos. Mas ele não pode me ouvir. E falo pra mim. Agora ele está num bar lá no céu, fazendo farra com os amigos dele...

Aff, a cai cai net não me deixou postar hoje, farei isso amanha...


Eu nasci no dia 28 de novembro. De minha infância não me lembro de ter passado por momentos ruins, só os comuns de criança. Tive uma vida tranqüila, sem luxos mais nunca me faltou nada. Não posso dizer que tive um pai ausente, por que me dava muito bem com o meu pai e entendia o jeitão dele, chamava-o de “menino” coisa que trouxe pra minha vida no trabalho é como chamo os meus velhinhos do INSS...rsrs

Sempre fui mais apegada a minha mãe, mas sempre estava em contato com o meu menino. Minha mãe me deu o amor; trouxe-me à luz. Meu pai fez a inscrição da identidade na minha alma, aquilo que torna cada um de nós singular.

Eu era pequena e levada. Diferente das minhas irmãs eu sempre conversava com ele; brincávamos muito e ele sempre sorria orgulhoso da filha mais bonita dele.

Lembro-me que quando pequena tinha mania de vestir as roupas dele e ficar enchendo o saco no quarto dele lá na Rua Antonio Arecipo. Amava aquele menino e guardei ou herdei dele a alegria de viver, a lábia extrema que consegue convencer até o mais crédulo dos mortais de que as minhas palavras são as mais certas, de que meus pensamentos são os mais sensatos... Engraçado ser assim, eu, a que teve menos tempo com ele; a que chegou quando eles (meus pais) já estavam quase velhos e mesmo assim sou detentora de um vinculo imenso com os mesmos.

Agora, de tantas coisas me lembro. E faço esse exercício com a memória, na tentativa de criar um mundo onde nós estejamos juntos outra vez. Lembro-me de quando voltava de Maragogi e ficava contando a ele como as pessoas me tratavam por lá; lembro-me ainda dele falando para os vizinhos: - chamam-na de “Doutora”, todo orgulhoso da filha.... rsrsrs

Ele me ensinou a ter apego à família por mais errada que ela pudesse ser, ensinou a não fazer distinção entre as pessoas e mesmo não aceitando o que elas faziam respeitá-las sempre, a ter orgulho de mim, do que conquistei e do que perdi. E como eu fui orgulhosa. E como me orgulho disso. Ao invés dos velórios, meu pai preferia uma boa cerveja, mas não perdia um. Ao invés de chorar, rir muito com os amigos. Ao invés de ficar numa cadeira de balanço envelhecendo, dançar para se alegrar. Teve tudo o que queria.

Nunca um homem lutou tanto na vida, pelos que ele adorava. Nunca um homem terminou com tão pouco, sem deixar nada. Mas pensar assim seria só ressaltar uma ilusão. Se o critério para dizer o que é uma vida cheia e rica for a conquista de bens, então, meu pai viveu como um miserável. Agora, se a riqueza for sentir necessidade de pouco e a felicidade for saber gozar com o que temos, com o que não nos falta, meu pai foi alguém que teve, mesmo em meio a sua ignorância, a verdadeira sabedoria: aproveitou sua vida, sua alegria, sua família, sua simplicidade, seu universo.

E agora, quando lembro que se já se passaram quatro anos, eu me pergunto: o que determina que a vida de alguém não foi em vão, que tenha valido a pena? E foi uma simples foto que trouxe a resposta para o que faz da vida de um homem algo grandioso. A mesma foto que eu mesma escolhi para a missa de sétimo dia, para a pedra na lápide. Um pequeno retrato teve o poder de mudar o sentido que o seu destino insistiu em construir. Era a foto de meu pai com seu olhar que falava tanto. Diante de uma vida de tantas perdas e desencontros, estava, enfim, em paz, sem precisar de mais nada.
Hoje são 08 de agosto. É um dia bonito, sem nuvem no céu. O sol ainda está nascendo e não faz frio. A última vez que o vi, um dia antes, antes que terminasse o horário das visitas, tirei minha mão da dele e, saindo, meio de lado, disse eu te amo. Não olhei para os olhos dele. Não sei se ele viu ou ouviu. No dia em que meu pai morreu, no dia 08/08/2004, foi assim que o sol se pôs.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Ficar velho é obrigatório, crescer é opcional.



No primeiro dia de aula nosso professor se apresentou aos alunos, e nos desafiou a que nos apresentássemos a alguém que não conhecêssemos ainda. Eu fiquei em pé para olhar ao redor quando uma mão suave tocou meu ombro. Olhei para trás e vi uma pequena senhora, velhinha e enrugada, sorrindo radiante para mim, com um sorriso que iluminava todo o seu ser.
Ela disse:


- Hei, bonitão. Meu nome é Rosa. Eu tenho oitenta e sete anos de idade. Posso te dar um abraço?
Eu ri, e respondi entusiasticamente:
- É claro que pode! - e ela me deu um gigantesco apertão.
- Por que você está na faculdade em tão tenra e inocente idade? - perguntei.
Ela respondeu brincalhona:
- Estou aqui para encontrar um marido rico, casar, ter um casal de filhos, e então me aposentar e viajar.

- Está brincando - eu disse.
Eu estava curioso em saber o que a havia motivado a entrar neste desafio com a sua idade, e ela disse:
- Eu sempre sonhei em ter um estudo universitário, e agora estou tendo um!
Após a aula nós caminhamos para o prédio da união dos estudantes, e dividimos um "milkshake" de chocolate. Nos tornamos amigos instantaneamente.
Todos os dias nos próximos três meses nós teríamos aula juntos e falaríamos sem parar.

Eu ficava sempre extasiado ouvindo aquela "máquina do tempo" compartilhar sua experiência e sabedoria comigo.
No decurso de um ano, Rosa tornou-se um ícone no campus universitário, e fazia amigos facilmente, onde quer que fosse.
Ela adorava vestir-se bem, e revelava-se na atenção que lhe davam os outros estudantes. Ela estava curtindo a vida! No fim do semestre nós convidamos Rosa para falar no nosso banquete de futebol.


Jamais esquecerei do que ela nos ensinou. Ela foi apresentada e se aproximou do pódio. Quando ela começou a ler a sua fala preparada, deixou cair três das cinco folhas no chão.
Frustrada e um pouco embaraçada, ela pegou o microfone e disse simplesmente:
- Desculpe-me, eu estou tão nervosa! Parei de beber por causa da Quaresma, e este uísque está me matando! Eu nunca conseguirei colocar meus papéis em ordem de novo, então me deixe apenas falar para vocês sobre aquilo que eu sei.


Se você tem dezenove anos de idade e ficar deitado na cama por um ano inteiro, sem fazer nada de produtivo, você ficará com vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e ficar na cama por um ano e não fizer coisa alguma, eu ficarei com oitenta e oito anos. Qualquer um consegue ficar mais velho. Isso não exige talento nem habilidade. A idéia é crescer através de sempre encontrar oportunidade na novidade. Isto não precisa nenhum talento ou habilidade. A idéia é crescer sempre encontrando a oportunidade de mudar. Não tenha remorsos. Os velhos geralmente não arrependem daquilo que fizeram, mas sim por aquelas coisas que deixaram de fazer. As únicas pessoas que tem medo da morte são aquelas que tem remorsos.


Ela concluiu seu discurso cantando corajosamente "A Rosa".
Ela desafiou a cada um de nós a estudar poesia e vivê-la em nossa vida diária. No fim do ano Rosa terminou o último ano da faculdade que começou há todos aqueles anos atrás.
Uma semana depois da formatura, Rosa morreu tranqüilamente em seu sono.
Mais de dois mil alunos da faculdade foram ao seu funeral, em tributo à maravilhosa mulher que ensinou, através de exemplo, que nunca é tarde demais para ser tudo aquilo que você pode provavelmente ser.


sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O que faz de você, você?






Engraçado, tímido, agressivo, egoísta, inteligente. Um caldeirão de influências forma a sua personalidade. Descubra o que faz com que você seja do jeito que é, e veja o que ainda consegue mudar.


A individualidade humana é um mistério: somos todos diferentes uns dos outros, e isso acontece até mesmo com gêmeos idênticas que carregam o mesmo DNA e foram educados do mesmo jeito.



A ciência moderna tenta há séculos explicar a intrincada malha que forma o nosso comportamento. Nessa corrida, há filósofos, psicólogos, neurocientistas, geneticistas e até literatos.

Nas últimas décadas, o debate ganhou o nome de nature versus nurture. No primeiro time está quem coloca na natureza a raiz da nossa personalidade. No segundo, quem acha que o ambiente é o grande definidor.
Hoje, essa polêmica deu lugar a uma cooperação, com os dois lados trabalhando juntos para desvendar a individualidade. Dessa união, estão saindo muitas das respostas novas e mais precisas das principais questões sobre o comportamento humano. Conheça algumas delas:


A genética determina o comportamento?


Não. O nosso DNA possibilita e favorece determinados tipos de comportamento, mas não determina nada. Os genes não restringem a liberdade humana eles a possibilitam, diz Matt Ridley, autor do livro O Que Nos Faz Humanos, em um artigo para a revista New Scientist.
A genética não é um destino, não determina o que você vai ser. Ela oferece predisposições. Todos estão sujeitos a influências ambientais que podem, sim, mudar a expressão dos genes e fazer com que eles simplesmente não se manifestem, diz André Ramos, diretor do Laboratório de Genética do Comportamento da Universidade Federal de Santa Catarina.

Traços de personalidade são idéias, conceitos culturais: dependem dos olhos de outros e da cultura de um lugar e de uma época para aparecerem e ganharem um nome. O que é inteligência, pedofilia, má educação ou timidez no Brasil pode ganhar nomes bem diferentes no Japão, por exemplo. Por isso, não dá para encontrar a personalidade pura no DNA.
Mas a nossa herança genética pode, sim, influenciar o funcionamento do corpo, que, numa cultura ou em outra, resulta em comportamentos diferentes. Ao nascer, cada ser humano carrega uma composição de 30 mil a 35 mil genes, formações de DNA que ficam ali dentro dos nossos 23 pares de cromossomos. As principais descobertas dos geneticistas do comportamento relacionam os genes à regulação de mecanismos fisiológicos que mudam o comportamento, como impulsividade, vício de determinadas substâncias e memorização.

Há indicações, por exemplo, de diferenças genéticas na regulação da dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer. Em algumas pessoas, a cocaína provocaria uma descarga anormal de dopamina, causando vício. É provável que esse medidor químico sofra uma deficiência natural e, portanto, alguns indivíduos sejam mais suscetíveis a se viciar em cocaína, dizem os pesquisadores Howard S. Friedman e Miriam W. Schustack, autores de Teorias da Personalidade.


Os pais influenciam a personalidade dos filhos?


Sim, mas a influência é imprevisível.
Desde os primeiros estudos de Sigmund Freud, e até antes deles, os pais são tidos como os agentes mais importantes na criação de uma pessoa. São os primeiros a conter o que há de animal em nós, nos ensinando a controlar desejos em nome de regras morais, castigos e convenções da civilização. Com essa premissa, Freud foi, ao lado de Darwin, um dos grandes pensadores do século 19 a abalar a idéia de Deus, mostrando que as noções de pecado e culpa são transmitidas pelos pais e podem ser a causa de vários dos nossos problemas.

Do conflito entre os nossos desejos e culpas, sairiam traços de personalidade (como a timidez, a vergonha), recalques inconscientes e fraquezas que nos acompanham vida afora. Freud vai mais longe: para ele, o jeito com que meninos e meninas lidam com a figura do pai e da mãe é essencial para definir a sexualidade da pessoa.
Mas as idéias do austríaco fomentaram tantas generalizações grosseiras e técnicas furadas de educação que hoje, fora dos círculos de psicanalistas, estão cada vez mais desacreditadas – e o pai da psicanálise é considerado mais um filósofo que propriamente um cientista.
O que não quer dizer que ele deva ser descartado. Até o ponto que a genética permite, um bebê recém-nascido é como um molde de argila flexível. O que ele aprender, ver, ouvir, sentir será armazenado no cérebro e irá compor a maneira como agirá no futuro. Ao nascer, vai demorar meses até conceber idéias básicas, como a de ser distinto das coisas ao redor. Aos poucos, porém, vai se dar conta e que consegue mover algumas dessas coisas – seus braços e pernas – e que outros seres fazem o mesmo. Assim, a partir do outro, o bebê começa a ter a noção de eu, de que é um indivíduo.
Conforme interage com os adultos, a criança se molda ao mundo em que nasceu. Se os adultos ao redor forem lobos ou cavalos, passará a vida toda uivando ou relinchando e bebendo água com a língua, como aconteceu como o “Selvagem de Aveyron”, garoto encontrado na França em 1799 que viveu a infância isolado na floresta e por volta dos 12 anos trotava, farejando e se alimentado de raízes.
Ou então as indianas Kamala e Amala, dos anos 20. Acolhidas por lobos quando recém-nascidas, elas andavam de quatro, tinham horror à luz e passavam a noite uivando. Entre lobos ou humanos, a criança aprende o que pode ou não fazer. Percebe que, ao chorar mais alto, a mamadeira vem mais depressa. Portanto, vale a pena ser manhosa, pelo menos de vez em quando. Quando joga um objeto no chão, é repreendida pela mãe e ganha uma bela bronca. Também começa a diferenciar sentimentos: o que achava ser dor, começa a receber nomes diferentes como “fome”, “ciúme”, “medo”.


As amizades influenciam?


Muito mais do que imaginamos.
Em 1998, a psicóloga americana Judith Rich Harris causou uma revolução nas teorias da personalidade ao afirmar que o convívio com os pais é só um dos fatores que influenciam a personalidade dos filhos – e um dos menos importantes. No livro Diga-me com Quem Anda..., ela fala que as relações horizontais dos 6 aos 16 anos – da criança com seus pares, o grupo de amigos da escola ou da vizinhança – são o grande definidor da personalidade adulta.
Para fundamentar o que diz, Judith Harris recorre aos 6 milhões de anos de evolução dos humanos. Durante esse tempo, os seres humanos que mais deixaram descendentes foram os que se acostumaram a andar em bando e conseguiram ter uma boa posição dentro dele. Quanto mais valiosos dentro do grupo, mais descendentes geravam. Do grupo dependia a sobrevivência e, depois da morte, a sobrevivência dos descendentes.
Essa história evolutiva, para Judith Harris, resultou num cérebro sedento por relações gregárias e classificações que diferenciem um grupo de outro e os membros entre si. Hoje, essa herança da seleção natural funciona assim: ao se identificar com um pessoal, a criança tende a agir conforme as regras internas daquelas pessoas, tentando encontrar um papel que lhe renda uma boa posição entre os membros.
De certa maneira, estaria tentando realizar sua missão na Terra: ganhar a proteção do mesmo sexo, para não ser atacado, e atrair o oposto, para se reproduzir. “A identificação com um grupo, e a aceitação ou rejeição por parte do grupo, é que deixam marcas permanentes na personalidade”, afirma Judith Harris.
Para ela, é assim que o gordinho da turma vira o gordinho engraçado: ele usa o humor para conquistar atenção. Assim se explicaria também a garota mais bonita da sala que não se preocupa em desenvolver a inteligência – a beleza já a destaca.
O principal exemplo usado pela psicóloga são os filhos de imigrantes. Apesar da língua, da religião e dos costumes que os pais tentam transmitir, a criança os ignora facilmente quando começa a ter contato com amigos do novo país. Aprende o idioma de uma hora para outra e, em poucos anos, se parece muito mais com os amigos que com os pais.
Outro exemplo é uma pesquisa com panelinhas de estudantes americanos por volta dos 12 anos. O psicólogo Thomas Kindermann descobriu que crianças de um mesmo grupo tinham notas e atitudes parecidas na escola. Se fizer parte de um grupo em que o desempenho escolar é importante, a criança se estimula a ter melhores notas. Se não conseguir, é provável que vá para outra panelinha, dos esportistas, por exemplo, que não consideram as notas uma coisa superlegal.
A teoria de Judith explicaria por que pais normais, que seguiram sempre as regras da boa educação, deparam com um filho criminoso. Talvez nossos avós não estivessem errados ao se preocupar tanto com as más companhias. A teoria também tem uma conseqüência aterradora: de que a educação teria pouquíssimo efeito sobre os filhos. Eles não se tornam o que os pais querem que sejam – mas o que os amigos querem. Se é assim, então como educar os filhos? O estilo de educação importa?Pouco.
Traços de personalidade dependem de diversos fatores e são dificilmente previsíveis. Por isso, estudantes de um colégio militar não se tornam necessariamente adultos metódicos, e os de um colégio liberal não ficam mais criativos.
Também não há comprovação científica de que impor limites rígidos previne que o filho seja um adolescente infrator. Dizer que o estilo de educação importa pouco na personalidade deve fazer psicopedagogos e professores estremecer. Mas a afirmação pelo menos livra os pais de tanta culpa e responsabilidade pelo destino dos filhos.
Notícias de adolescentes de classe média que ateiam fogo a mendigos ou espancam empregadas costumam ver acompanhadas de críticas aos pais. A idéia por trás dessa opinião é que os pais são responsáveis pela personalidade e por todos os atos dos descendentes.
Os primeiros estudiosos a culpar os pais pela educação dos filhos foram os psicólogos behavioristas. Eles adaptaram as idéias de Freud sobre o papel dos pais e criaram sistemas de educação baseados em estímulos e respostas. O psicólogo John Watson, famoso no começo do século 20, chegou a dizer que conseguiria fazer de qualquer criança um médico ou artista de sucesso se pudesse aplicar na “cobaia” um sistema contínuo de estímulos e respostas.
De pensadores como Watson, veio a idéia, comum hoje em dia, de que uma personalidade bem formada é resultado de uma educação de recompensas e punições. Essa idéia embala centenas de livros com fórmulas mágicas para transformar crianças em adultos simpáticos, bonitos, bem-sucedidos e livres das drogas. E resulta em pais que se sentem despreparados para criar filhos bem formados.
Mas não é preciso ser perfeito para ter filhos, sobretudo porque, como você viu, os pais não determinam o destino das crianças e a influência deles é imprevisível.
Muitos dos adolescentes que engravidam cedo, se afundam em drogas ou espancam empregadas receberam a mesma educação de jovens que andam na linha – às vezes, os próprios irmãos.
Casos assim mostram que seres humanos não são robôs que podem ser programados pelos pais ou por pedagogos. É importante, porém, não confundir pouca influência com nenhuma influência. “Muitos pais hoje em dia acham que devem agir como amigos. Mas a autoridade e a hierarquia precisa existir, para que se transmita o que é certo ou errado”, diz Eloísa Lacerda, da PUC-SP.
Também é bom que os pais fiquem atentos ao relacionamento do filho com os amigos – se ele for sempre a vítima do grupo, sempre humilhado pelos colegas, talvez seja o caso de trocar de escola ou incentivá-lo a se relacionar com outras crianças. “Ao morar num bairro e não em outro, os pais podem aumentar ou diminuir o risco de que os filhos venham a cometer crimes, sejam expulsos da escola, usem drogas ou engravidem”, afirma Judith Harris em Diga-me com Quem Anda...


Por que os irmãos são tão diferentes?


Ninguém sabe exatamente.
Irmãos siameses são um exemplo de que nem o ambiente nem a biologia conseguem explicar completamente a personalidade. O lar é um fator importante para fazer irmãos se diferenciar entre si. Uma pesquisa da Universidade de Minnesota descobriu que gêmeos idênticos são mais parecidos quando criados em ambientes separados.
Você já deve ter ouvido histórias de gêmeos separados no nascimento que se reencontram 40 anos depois e descobrem que ambos compraram carros azuis, adoram feijoada e jogam xadrez muito bem. Longe um do outro, eles seguiram iguais.
Muita gente explica a personalidade de alguém pela ordem de nascimento ou pela diferença de idade entre os irmãos. O senso comum diz que os primôgenitos são mais independentes; os do meio, rebeldes; os temporões, precoces. O historiador Frank Sulloway, da Universidade da Califórnia, tem estudos nessa linha. Ele analisou a ordem de nascimento de mais de 6 mil personalidades mundiais e concluiu que os filhos mais velhos são mais conservadores, já os mais novos são os criativos e revolucionários – é 18 vezes mais fácil achar um revolucionário caçula que um primogênito.
A pesquisa de Sulloway mostra só um padrão de comportamento (ele não propõe uma lei da natureza), mas contribui para o que se chama de Teoria dos Nichos, tese mais aceita para explicar a diferença entre irmãos. Em casa, a criança procura desempenhar um papel diferente dos irmãos mais velhos. Se um irmão se destaca como esportista, ela pode se apegar mais aos livros. Se um é mais apegado à mãe, a filha do meio pode ser mais independente.
Steven Pinker, psicólogo evolucionista e professor da Universidade Harvard, acredita que a variação de personalidade se resume numa palavra: acaso. “Falo de acasos como um bebê que cai de cabeça no chão sem querer, um vírus que ele pega, um pensamento que deixe uma impressão permanente. Esses fatores podem ter uma influência tão grande no que somos quanto os genes, uma influência muito maior do que os pais”, afirma ele no livro Tábula Rasa.


É possível mudar nosso jeito de ser?


Sim.
Na verdade, mudamos nossa personalidade a toda hora. Agimos de modos diferentes com pessoas de idade, sexo ou posição social diferentes.
Você já deve ter passado pela sensação de ser amigável e inteligente com alguém que o deixa confortável e agir do modo contrário com quem o desafia. Além disso, a nossa personalidade depende do que os outros acham: você pode ser chato para uma pessoa, mas gente boa ou confiável para quem o conhece melhor. O homem tem tantos eus quantos são os indivíduos que o reconhecem, disse em 1890 o psicólogo William James, um dos primeiros a estudar a personalidade.
Mas é claro que há comportamentos e atitudes que são muito difíceis de largar. Somente 10% das pessoas com pontes de safena mudam hábitos alimentares e deixam o sedentarismo. As outras acabam morrendo de ataque cardíaco simplesmente porque não conseguem mudar.
Muitas vezes um pai que bate na mulher e nos filhos promete a si mesmo parar com as agressões, mas não consegue. Talvez os genes favoreçam o comportamento impulsivo e não é nada fácil ir contra a própria composição genética.
Ou então, olhando pelo lado da psicologia, somos tão arraigados à referência dos nossos pais e às experiências da infância que esses traços viram nossa identidade.
Se é assim, fica difícil até perceber o próprio modo de ser. Mesmo assim, dá para mudar. Não existe nenhuma pesquisa científica que mostre que o ser humano não tem jeito, diz Mariângela Gentil Savoia, psicóloga do Hospital das Clínicas de São Paulo.
De ter consciência de si próprio, um traço bem arraigado à personalidade, atribuir a ele uma causa, vencer derrotismos e apegos, vão anos, se não uma vida toda. Mas talvez o caminho de nos conhecer, mudar o que for possível e nos contentar com o que somos seja o grande desafio da vida.
Fonte:Revista superinteressante - edição 248 - jan 2008