
A vela quadrada que faz a jangada deslizar pelas águas calmas do “Velho Chico” dá o sinal de que naquele trecho do extremo sul do estado de Alagoas está localizada e conservada a cidade de Penedo, 157 km de Maceió, cujo acervo integra um dos maiores tesouros da arquitetura dos séculos XVII e XVIII, traduzido em igrejas, conventos e palacetes do Brasil Colonial, guardando as marcas dos colonizadores portugueses, holandeses e dos missionários franciscanos. Uma viagem imaginária no túnel do tempo sem sair do século XXI.O casario com seus sobrados e fachadas é testemunha do tempo e continua inspirando os versos dos poetas da terra e de fora, além de receber de braços abertos cada vez mais turistas que chegam à cidade para conhecer um pedaço raro da história do Brasil e um pouco da muita riqueza literária e histórica daquele trecho de Nordeste, encravado na rocha, “berço da magia, da cultura e do saber”, descrito nos versos do compositor Bil Marques, na sua “Canção por Penedo”. Os primeiros passos para fazer de Penedo uma parada obrigatória de visitantes nacionais e estrangeiros estão sendo dados pelo atual prefeito, Marcius Beltrão, que promete uma série de incentivos para o empresariado interessado em investir na cidade, acenando com isenção de impostos para a iniciati
va privada, que demonstre interesse na construção de hotéis e pousadas, infra-estrutura indispensável para qualquer cidade que quiser disputar a preferência dos turistas. Também os moradores serão contemplados, pois Beltrão ainda promete redução de IPTU para os proprietários que mantiverem preservadas as fachadas de seus imóveis .Mesmo antes da chegada dos investidores e a conseqüente melhoria dos serviços turísticos, Penedo merece ser visitada pois preenche um importante capítulo na herança cultural da região que tem a simpática cidade debruçada às margens do rio São Francisco.História – A origem da cidade está diretamente inicialmente ligada à perseguição dos índios Caetés, responsáveis pela morte do bispo Pero Fernandes Sardinha, promovida por Duarte Coelho Pereira, então donatário da Capitania de Pernambuco. De aldeia até a categoria de cidade, um longo e sofrido caminho teve que ser percorrido, incluindo aí a luta contra a dominação holandesa e as inúmeras expedições promovidas para dar fim aos quilombos que se formaram na região, tendo o Baixo São Francisco como local de chegada e partida de várias expedições.A volta ao domínio português fez com que a cidade prosperasse com a construção de 13 igrejas, 10 capelas e vários casarões de estilo barroco que fazem com que a pequena cidade seja considerada a ”Ouro Preto do Nordeste”, embora as semelhanças fiquem apenas na herança arquitetônica e no tipo de calçamento das ruas.Para enriquecer a viagem, vale a parada no Museu do Paço Imperial, no Teatro 7 de Setembro, na Associação Comercial, na Casa de São Francisco e na Casa do Penedo, que mantém rico acervo da história da cidade, com destaque para a exposição de esculturas sacras e de peças que pertenceram ao Barão de Penedo, ao Bispo Dom Jonas Batinga e à família que hospedou Dom Pedro II em sua passagem pela cidade, hoje museu. Para fazer o tour é necessário ter muita disposição para vencer as muitas ladeiras de paralelepípedos que dão acesso à Rua do Banheiro ou das Lavadeiras. Todo o esforço é recompensado pelo contato proporcionado ao turista com o Brasil Colonial, sem tirar o pé do século XXI


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